ANTADORA
Descrição do Aquartelamento
Antadora tinha sido, dizia-se, um
pequeno aldeamento junto à estrada
que liga Porto Amélia, hoje Pemba, a
Mocimboa da Praia. Estrada essa
completamente desativada pois as
pontes que nela existiam estavam
todas destruidas, e nessa altura era
um pequeno aquartelamento no meio
do mato.
A sua disposição era circular com
cerca de 200 metros de diâmetro e
composto por barracas de zinco que serviam de casernas, posto de
transmissões, armazem para munições e armamento e secretaria. Tinha ainda
umas construções mais sólidas,
feitas em alvenaria que serviam de
caserna para oficiais e sargentos e
para depósito de géneros.
Tudo isto era cercado por uma
vala e arame farpado. No lado norte
tinha uma pequena pista em terra
batida que servia para os aviões
pequenos aterrarem e assim
fazerem o abastecimento de
comida fresca e entrega do correio para todo pessoal, normalmente à sexta
feira que como é óbvio era o dia mais desejado. No entanto quando chovia a
pista ficava inoperacional e o
abastecimento era interrompido.
Mais abaixo, no lado sul passava
um pequeno rio de seu nome
Muera, de onde era tirada a água
necessária para o abastecimento
ao aquartelamento. Essa água
servia para tudo - fazer comida,
beber, banhos do pessoal e
lavagem de roupa.
Viemos a saber mais tarde,
depois de análises feitas a essa
mesma água, que não servia nem
para lavar a roupa quanto mais
para beber.
A actividade da companhia
consistia essencialmente em,
patrulhar a área fazendo operações
de mais ou menos três dias bem
como colunas para reabastecimento.
Uma das nossas missões também,
era fazer operações em
conjunto com outras companhias.