MECUBURI
                                 O ano do descanço da C. CAV. 3559
                                                                                                   
     Chegados a Nampula, no  dia 6 de Novembro, os elemento que ficaram em Antadora para a
   orientação   da  companhia  checa,  rumaram  a   Mecuburi  onde  já  se  encontrava  toda  a
  companhia.
     Mecuburi fica a cerca de 80 Km. de Nampula, era na altura  posto administrativo, composta
  por  uma  só  rua  com  habitações,  poucas, dum  lado  e  do  outro,  tinha  a rodeá-la  vários
  aldeamentos. Para além do aquartelamento  tinha  um posto  de  saúde, 3  estabelecimentos 
  que eram ao mesmo tempo loja  para venda  de  géneros alimentícios  e café  onde  se  podia     
  também comer. Era aí que nós passavamos a maior parte do nosso tempo ora a  beber ou  a
  fazer grandes petisqueiras e também  a jogar aos matrecos  ou cartas, tudo  isto quando não
  estávamos de serviço.
     Após a chegada e passado alguns dias, a companhia  foi dividida por três destacamentos -
  -Muite, Lalaua e Imala, indo um pelotão para cada um deles e ficando um em Mecuburi.
     Assim ía  passando o tempo, entre  serviços  e petiscos, pois aqui ou  nos destacamentos
  não havia mais nada para fazer. De Mecuburi partia  todos os dias um carro para  Nampula, a
  fim  de  tratar  dos   serviços  necessários  como   trazer  géneros,  correio   e  outras  coisas
  necessárias ao bom funcionamento do aquartelamento.

     Entretanto  o  ano  de   1974  chegou  e  com  ele a   esperança,  pois   começava  a   fase
  descendente da nossa comissão o que quería dizer  que o regresso ao puto  ( termo aplicado
  na altura a Portugal continental ) estava mais perto.
     A companhia sofreu algumas alterações a nível de comando.     
     Com as idas  e  vindas diárias de Mecuburi  a Nampula  houve também  lugar, infelizmente, 
  para acidentes de viação nos quais perderam a vida mais alguns camaradas, para além disso
  foram também  chamados, para fazer parte  de colunas que se iríam realizar a Mueda, alguns
  elementos  da  companhia. Das que  se  realizaram  houve uma que sofreu um  ataque  e que
  passou por momentos difíceis.

     O tempo passava mais ou menos rápido e o mês de Abril chegou, com ele a revolução, por 
  isso ficámos todos cheios de esperança, pois com as mudanças políticas sofridas pensámos 
  que a nossa situação  fosse  rapidamente resolvida.
     Pura ilusão, os meses foram  passando para além de Junho e não  víamos jeito da data  de
  regresso  ser anunciada.    
     As  conversações  de  paz com a Frelimo  tardavam a dar resultados embora no  terreno já
  houvesse tréguas e contactos directos sem hostilidades. Ficámos a  saber entretanto a  data
  da nossa partida para Nampula.
     Finalmente a 7 de Setembro foi assinado em Lusaka o acordo de paz com a Frelimo.
     Em consequência  disso os  colonos e a classe mais alta  de Moçambique revoltaram-se e 
  tentaram um golpe  para instaurarem um governo  tipo Rodésia de  maioría branca. Para isso
  ocuparam as rádios, alguns  serviços e  provocaram imensos massacres.
     Não o conseguiram pois as autoridades pararam a rebelião a tempo.
     Em  consequência  disso   a  nossa  viagem   de  regresso  foi   bastante  atribulada,   com
  constantes  alterações de datas quer em Nampula como também na Beira.  Havia algum  mal
  estar entre os brancos e a tropa, com  alguns insultos  e até mesmo algumas  agressões  por
  aqueles que eram mais radicais.
     Os aviões íam partindo com pides presos  que o  governo  resolveu  retirar do  território  por
  causa do golpe.
     Finalmente o dia 20 de Setembro chegou e com  ele  o  nosso regresso,  tão anciosamente
  esperado, a Lisboa para junto das nossas famílias.