O tempo passava mais ou menos rápido e o mês de Abril chegou, com ele a revolução, por
isso ficámos todos cheios de esperança, pois com as mudanças políticas sofridas pensámos
que a nossa situação fosse rapidamente resolvida.
Pura ilusão, os meses foram passando para além de Junho e não víamos jeito da data de
regresso ser anunciada.
As conversações de paz com a Frelimo tardavam a dar resultados embora no terreno já
houvesse tréguas e contactos directos sem hostilidades. Ficámos a saber entretanto a data
da nossa partida para Nampula.
Finalmente a 7 de Setembro foi assinado em Lusaka o acordo de paz com a Frelimo.
Em consequência disso os colonos e a classe mais alta de Moçambique revoltaram-se e
tentaram um golpe para instaurarem um governo tipo Rodésia de maioría branca. Para isso
ocuparam as rádios, alguns serviços e provocaram imensos massacres.
Não o conseguiram pois as autoridades pararam a rebelião a tempo.
Em consequência disso a nossa viagem de regresso foi bastante atribulada, com
constantes alterações de datas quer em Nampula como também na Beira. Havia algum mal
estar entre os brancos e a tropa, com alguns insultos e até mesmo algumas agressões por
aqueles que eram mais radicais.
Os aviões íam partindo com pides presos que o governo resolveu retirar do território por
causa do golpe.
Finalmente o dia 20 de Setembro chegou e com ele o nosso regresso, tão anciosamente
esperado, a Lisboa para junto das nossas famílias.