ANTADORA 73
O dia a dia da C. CAV. 3559
Após a estrondosa passagem de ano, estivemos durante bastante
tempo sem novidades do inimigo. O tempo decorria calmo entre
operações, colunas para reabastecimento e caça. Caçavamos para
ter alguma carne mesmo fresca e saborosa, como é a da pacaça, do
porco espinho e mesmo da palanca. Apanhou-se também algumas
cobras, um lagarto e até um tatu todos eles tiveram honras de um
belo petisco, mas só para alguns como é evidente. Andavamos tão
bem que quase esquecemos que estavamos em zona de guerra,
mas a Frelimo fez questão de nos lembrar presenteando-nos com
mais um ataque no dia 25 de Março na habitual "hora maconde",
cerca das 17.45. Nesse ataque porém, os guerrilheiros não
trouxeram só o habitual morteiro 82 , muniram-se também com
canhão s/recúo, roquetes e armas automáticas. O ataque que
fizeram nesse dia foi mesmo com a intenção de entrarem no
aquartelamento. Durante todo o ataqu e foram disparadas dezenas de
granadas quer de uma parte quer de outra, apesar disso e felizmente
não conseguiram os objectivos, só tivemos danos materiais no
depósito de géneros e nas antenas de rádio. Nesse dia salientou-se
um camarada de alcunha o "Velho Misérias" que, durante todo
ataque, esteve em cima de um dos abrigos com um morteiro de 60
disparando sem cessar, arris-cando-se a ser alvejado.
Esse foi, sem dúvida, o maior ataque que a companhia sofreu .
No dia 7 de Abril, um grupo saíu para uma operação, passando por
um trilho já batido, accionaram uma armadilha. Na sequência da
explosão f icaram feridos Henrique Pinheiro e Acácio Assunção,
vindo o ultimo a falecer devido à gravidade dos ferimentos.