ANTADORA 72
Chegada da C. CAV. 3559
A chegada a Antadora dos checas, nome
atribuido aos novos, foi um acontecimento
bastante festejado pela companhia que lá se
encontrava, pois era a certeza da saída para
um lugar mais tranquilo onde não havia a
preocupação de pensarem em ataques nem
operações. Era assim normalmente com todas
as companhias que se encontravam em zona
de guerra.
A C. CAV. 3559 começou a sua nova vida
em Antadora com acompanhamento de alguns elementos da outra companhia para
darem algumas indicações sobre a zona e o inimigo que iríamos defrontar, tudo isso
durou cerca de 15 a 20 dias. Passado esse tempo partiram e nós ficámos entregues
à nossa sorte.
Decorriam os dias calmamente quando, a 14 de Setembro, sofremos o primeiro
ataque de morteiros. Eram cerca de 17.45 horas ao entardecer, a denominada
"Hora Maconde" como passou depois a ser por nós conhecida. O ataque durou cerca
de 20 minutos com um desfecho trágico, pois uma das granadas explodiu mesmo no
cimo de uma das valas provocando a morte de dois dos nossos camaradas. Os dias
que se seguiram são muito difíceis de descrever, pois a realidade foi tão cruel, que se
contada podería parecer ficção.
Só quem por lá passou poderá compreender.
Durante algum tempo estivemos descansados sem ouvirmos o som dos morteiros.
Então, a 3 de Outubro mais um ataque à hora maconde, desta vez um pouco mais
cedo 17.05 sensivelmente. Este durou cerca de cinco minutos e não teve nenhuma
consequência quer humanas ou materiais.
A 11 de Novembro realizou-se uma coluna a Mocímboa da Praia para abastecimento.
A certa altura a viatura da frente, denominada "rebenta minas", accionou uma mina
anti-carro, o condutor e um furriel ficaram
feridos tendo sido evacuados para Nampula.
Soubemos mais tarde que o condutor, em
piores condições, foi evacuado para a
metrópole. No mesmo dia e na mesma
coluna, outro camarada pisou uma mina anti-
-pessoal tendo ficado sem um pé , tendo
sido evacuado para Nampula.
O resto do mês de Novembro e o mês de
Dezembro decorreu sem incidentes dignos
de nota, para além dumas petiscadas e duns
jogos de futebol. A excepção, foi na noite da passagem do ano em que ao chegar a
meia noite os tiros de festejo foram tantos e tão intensos, que quase ficámos sem
munições.